Iniciativa
Para garantir o alimento a todos
Criado para auxiliar a comunidade, projeto Horta Solidária beneficia 50 famílias no bairro Dunas
Carlos Queiroz -
Um movimento feito pela comunidade e para a comunidade. Neste ano de 2021, a coordenação do Centro de Desenvolvimento do Dunas (CDD) desenvolveu o projeto Horta Solidária. A ideia é simples: no terreno do CDD - situado na avenida Ulysses Guimarães, 2057 - são cultivados gêneros alimentícios que, após serem colhidos, são distribuídos para a comunidade de forma gratuita. Com a participação de vários movimentos da juventude pelotense, o projeto hoje já contempla 50 famílias residentes no bairro.
A iniciativa é antiga, mas ganhou traços de realidade neste ano. Após período de recesso, ressurgiu a partir do desejo de garantir a soberania alimentar do bairro no contexto das dificuldades impostas pela pandemia. A horta surge em um campo que estava abandonado no terreno do CDD e era utilizado para descarte de lixo.
Após a devida limpeza do local, foram preparados nove canteiros de plantação - que devem se transformar em dez no próximo mês. “Quando assumimos a coordenação do CDD, resolvemos dar vida a esse projeto da horta comunitária junto com a juventude da comunidade. Realizamos vários trabalhos voltados para essa questão da soberania alimentar do bairro e para a distribuição dos alimentos para as famílias”, conta Luan Cunha, um dos coordenadores do Centro de Desenvolvimento. No espaço são plantados tomates, salsinha, cebolinha, alface roxa, entre outros gêneros alimentícios. Estes alimentos são cultivados e, posteriormente, distribuídos para as famílias que já possuem cadastro prévio junto ao Centro, que realiza a identificação dos nomes através de uma parceria com o Cras. Mensalmente, o projeto também entrega cestas básicas e, quinzenalmente, oferece um sopão comunitário.
O dia de maior atividade na horta é sábado. No final de semana, é realizado um mutirão para cuidar da plantação, o que acaba mobilizando a comunidade. “Fazemos um mutirão para ajudar no cultivo. Tem o pessoal que planta, alguns emprestam ferramentas, a gente faz um trabalho bem manual. Às vezes aparece alguém pedindo cebolinha, alface e a gente entrega também”, destaca Cunha.
Parcerias
Para sustentar o projeto, a coordenação estabeleceu parcerias com outras frentes de atuação. Uma das mais importantes é a da Feira Agroecológica Arpasul, que doa alimentos para a horta todos os sábados e foi uma das inspirações para a idealização da iniciativa. “A gente pensou: se recebemos alimentos da feira, podemos tentar plantar alguma coisa também”, explica Cunha. Ele conta ainda que o “pontapé inicial” foi dado com auxílio do Grupo de Agroecologia da Universidade Federal de Pelotas (Gae-UFPel) e do Escritório Modelo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Emau-UFPel), além do coletivo Usina Feminista e da Cáritas Arquidiocesana. “É um projeto de união. É a juventude da periferia se unindo com o pessoal da universidade para uma troca de saberes e para vivenciar tudo isso na prática”, pontua Luan.
Reconhecimento
Com três meses de projeto, a Horta Solidária foi inscrita em um edital da Fundação Luterana de Diaconia de Porto Alegre. A iniciativa, classificada como implantação agroecológica no concurso, foi aprovada e recebeu um orçamento de R$ 10 mil para investir no cultivo dos alimentos. O repasse está previsto para ocorrer em julho.
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